Artigo e material produzido por : João Cancela, Analista de Performance Táctico

A figura do Analista de Performance Táctico é para os mais distantes do Jogo (e mesmo para alguns dentro!) uma personagem algo estranha. O entendimento absoluto da importância e do tipo de trabalho por ele executado continua a ser na maior parte dos clubes uma incógnita para a estrutura e talvez por isso na realidade do futebol português tenhamos ainda uma área subdesenvolvida quando comparado com outros países…não sendo necessário ir aos campeonatos referência para chegar a essa conclusão. Uma crítica a mim, aos analistas que se confortam em estar na sombra e a todos aqueles que não entendem a verdadeira essência e importância do Analista, que vai desde a classe de dirigentes até a responsáveis técnicos. Está na altura portanto de acabar com este distanciamento, sair da sombra confortável e crescermos… porque o passo em frente de um, é o passo em frente de todos nós.

Muito orgulhosamente dizemos que o Treinador Português é dos mais competentes do mundo, mas o comboio não para e não espera por ninguém. Ainda que uma das valências que tornam o Treinador Português diferenciado seja essa capacidade de fazer muito com poucos recursos, se os clubes não investirem também na sua estrutura e neste caso refiro-me aos departamentos de observação e análise, a qualidade do trabalho da equipa técnica não terá tanta riqueza, tanta aprendizagem e certamente não terão sucesso (qualquer que seja o objectivo). Independentemente de ser o software A, B ou C, de ser a camera X,Y ou Z, dos recursos económicos e materiais à disposição, está mais do que no momento dos clubes profissionais começarem a investir (muito ou pouco, cada clube terá as suas possibilidades) nos recursos, de investir mais nos Departamentos de Observação e Análise ou na realidade fazer um Departamento profissional porque a maior parte dos clubes ou nem departamento tem, ou tendo acabam por trabalhar de forma amadora.

Passar de trabalhar todos os dias, de manhã até à noite, focado no Jogo e de um momento para o outro ter de me adaptar a uma rotina diferente não foi e não é fácil. Estando esta época fora do futebol, a 1a vez que tal me aconteceu, senti tristeza e revolta. Tristeza por não contribuir para a melhoria de um processo, revolta porque com as minhas competências e vivências seria de esperar algo diferente mas o Futebol Português dá claramente primazia às relações pessoais e empresariais instituídas. Sinto que o espaço é limitado para alguém com o meu perfil, para alguém que mais do que relações procura estar focado no jogo e na sua tarefa diária. E talvez não haja, não sei… Até porque sem criar as relações parece não existir a oportunidade devida.

Os clubes portugueses têm de crescer, têm de investir de acordo com a sua realidade (e não me venham dizer que não podem investir nada) para que desta forma o nosso Futebol melhore, para que os Treinadores melhorem e para que nós analistas melhoremos. Já sei que é sonhar alto, mas diminuir a predominância das relações interpessoais de natureza múltipla é urgente e já vem tarde. Tal como não queremos desperdiçar jovens jogadores talentosos, também não o deveríamos querer fazer com Treinadores e restantes elementos que gravitam à sua volta contribuindo para um produto de qualidade superior. Para que o Futebol Português saia efetivamente valorizado.

Aquilo que desejo é apenas uma melhoria da profissionalização das estruturas para que não existam tantos erros de “casting”, para que a competência de muitos outros seja reconhecida e para que o nosso Jogo melhore. Porque mesmo não estando em funções não deixei de ser quem sou, leio hoje mais, observo hoje mais, discuto hoje mais e entrei num processo criativo superior que me permitiu adicionar muito à minha compreensão do jogo, bem como no domínio de ferramentas de trabalho. Porque Profissional ou não, Eu sou Analista.

Partilho algum material de análise por mim produzido (sem qualquer ligação aos clubes mencionados). O material que vos apresento (apenas o Relatório e o Vídeo Longo) é só um exemplo do material que pode ser produzido para a equipa técnica no que ao adversário diz respeito. Cada um trabalha da forma que melhor entende e respeitando o líder para quem trabalha, ainda assim agrada-me esta proposta para contextos de alto rendimento: Relatório com especial incidência na análise qualitativa e vídeo longo – entregues à equipa técnica mal termine o jogo (antes desse adversário); Vídeo curto de apresentação aos jogadores; Análise individual do adversário (observação facultativa) e material para o Treinador de GR como os penaltis, livres diretos e ações individuais ofensivas; Análise de treino e do “Nosso Jogar”

Relatório

Ver relatório no link: https://futsolutions.egnyte.com/dl/3CkSGtXqtB/?

Vídeo Longo

PS: Jogos selecionados do Académico Viseu contra adversários sobretudo em 4x2x3x1 e 4x4x2, antecipação de cenário.

Artigo e material produzido por : João Cancela, Analista de Performance Táctico