Haverá certamente o interesse em perceber a profundidade das metodologias adoptadas em cada escola. Assim, este estudo revela alguns dados que permitem não só aferir o tipo de metodologia como também a visão do Futebol nos países em causa.
Este estudo acontece in loco durante o período que desempenhei funções em equipas profissionais dos 3 países. Por ser um privilegiado e ao mesmo tempo obcecado por estudar e controlar o treino, entendi que seria pertinente o estudo a fundo das diferentes metodologias quanto à sua operacionalização.
Para o estudo foi elaborada uma grelha onde se definiram os critérios a avaliar, tais como, exercícios com bola e competição, ou com bola e sem oposição entre outros. Durante as sessões analisadas todas tarefas ou paragens foram cronometradas de forma a se aferir a sua duração total. E os estudo respeitou a uma semana completa de treinos.
A recolha de dados ocorreu através da contagem do tempo de cada episódio, conseguindo-se assim perceber que tempo se poderá considerar útil assim como o tempo que seria gordura tóxica.

No que respeita aos dados obtidos e respectiva interpretação, constatamos que:

Verificam-se diferenças significativas quanto ao tempo efectivo de exercícios em alta intensidade. Argentina e China mais aproximadas.
As sessões de treino são mais curtas em Portugal comparando com Argentina e China optando-se aumentar a percentagem de tempo útil em relação ao tempo total do microciclo semanal.

Verificaram-se claras diferenças quanto à abordagem da intensidade vs volume. Com clara evidência que enquanto em Portugal se procura uma metodologia onde se promove intensidades altas em detrimento de mais volume verifica-se que tanto na China como na Argentina há a intenção de através do volume operacionalizar-se o processo. Claramente o Tempo total das sessões são maiores nos dois países comparativamente com Portugal.
Verificam-se diferenças significativas quanto ao tempo efectivo de exercícios onde a bola está presente. Portugal e Argentina mais aproximadas.
A bola é considerado como peça fundamental de todo o processo em Portugal enquanto que no lado oposto se encontra a China onde procuram uma metodologia mais tradicional.

Será claramente um aspecto que nos trará algumas ilações. E no que diz respeito ao contacto com a bola verifica-se que Portugal e Argentina estarão claramente mais próximo. Distanciando-se a China dos outros dois.
A bola é considerado como elemento chave no processo em Portugal assim como se revela muito importante na Argentina. A falta da bola na metodologia chinesa deve-se essencialmente pela pouca transformação de tempo total de treino em tempo útil, contudo, com uma metodologia assente em metodologia analítica e estereotipada com o intuito de conduzir os atletas aos comportamentos que querem replicados. Na Argentina assumindo-se claramente uma metodologia integrada procuram um equilíbrio quanto à utilização da bola, mas sem ser notório um foco em questões tácticas. Sendo a bola um elemento motivador e potenciador da relação com a mesma. Enquanto que em Portugal, a bola claramente é a peça fundamental e o elemento que permite potenciar as relações, comportamentos, estratégias ou a simples relação com a bola.

A Metodologia em Portugal assume um foco nos duelos, no jogo, na oposição e simulação fraccionada de momentos do jogo.
Preocupação assumida em Portugal de rentabilizar ao máximo a percentagem de tempo útil, por isso até as paragens se apresentam controladas o mais possível.

Dados importantes recolhidos foram os que referem o tempo de inactividade que no caso de tempo utilizado para indicações e feedbacks se verifica que em Portugal se procura uma aprendizagem guiada enquanto que na Argentina mas essencialmente na China se procura uma indicação dos comportamentos que devem ser replicados. Serão abordagens diferentes pois se em Portugal se procura que o atleta aprenda pelos próprios erros e consciencialização do atleta para o erro, na China claramente há uma consciência pelo comando do líder enquanto na Argentina poderemos dizer que haverá um pouco das duas abordagens.

A amostra de estudo não é como se percebe, uma amostra que permita uma validade cientifica contudo confere uma visão sobre as diferenças metodológicas nos 3 países em causa, bom como poderá tornar-se um estudo mais cuidado com dados validados e não apenas um estudo de caso.