O jogo de futebol de alto rendimento está em constante evolução. Desde as leis que se foram alterando ao longo do tempo, ao número e diversidade de elementos da equipa técnica (longe vão os tempos em que estas eram apenas constituídas por treinador principal, treinador adjunto e treinador de Gr), à tecnologia mas também às ideias do modelo de jogo.

Os esquemas táticos também foram evoluindo desde o Gr-1-1-8 que se praticava em 1860, ao WM de Albert Chapman, aos esquemas mais praticados hoje em dia que permitem uma melhor ocupação racional do espaço. No entanto, numa modalidade que está em permanente evolução, também foi necessário o desenvolvimento das ideias de jogo. Como o professor Júlio Garganta diz, ‘’o futebol joga-se com ideias’’.
Vários foram os casos de equipas que marcaram gerações de tal forma que essas mesma ideias de jogo, por serem inovadoras e vencedoras, foram sofrendo tentativas de reprodução por outros treinadores. Casos como o Inter de Helenio Herrera, o Ajax de Rinus Michels, o Ac Milan de Arrigo Sacchi ou mais recente o Barcelona de Pep Guardiola tiveram um impacto tão grande a nível mundial que vimos várias equipas a tentar reproduzir propostas parecidas. Segundo Pep Guardiola, o treinador deve ser um ladrão de ideias.

Nos últimos anos, grande parte das equipas de top do futebol mundial, no momento de organização defensiva optaram por utilizar a defesa à zona. Na defesa zonal a principal referência defensiva da equipa é a posição da bola e não do adversário e, com a impossibilidade de cobrir todos os espaços de progressão, a defesa à zona considera que existem espaços mais valiosos que outros, ou seja a defesa à zona define os espaços próximos da bola, os espaços entre a bola e a baliza e os espaços que o treinador considera importantes de defender para o seu tipo/estilo de jogo como os mais valiosos. No entanto, no futebol de topo há uma equipa que se destaca das outras no momento defensivo, por usar uma ideia no momento defensivo que muitos consideravam como obsoleta, a marcação homem a homem.

A Atalanta de Gian Piero Gasperini é uma rotura com o que se pratica tradicionalmente no futebol atual. A Atalanta em organização defensiva posiciona-se normalmente num 1-5-3-2 ou 1-5-4-1 utilizando referências individuais de pressão, condicionando o adversário numa marcação HxH.
Num plano estratégico, que implicações este jogar provoca nas equipas que defronta? Que implicações terá no morfociclo padrão de uma equipa que normalmente defronta equipas que defendem zona e num determinado jogo uma defrontar uma equipa que defende por referências individuais? Os espaços provocados por uma e outra forma de defender são completamente diferentes.
No futuro, este jogar provocará a reprodução desta forma de defender nas equipas do futebol mundial? Será novamente usual vermos equipas a defender ao homem? Ou é um princípio que terá mais desvantagens do que vantagens? Será mais uma tendência no comportamento tático das equipas de futebol?

Concluindo, de um ponto de vista estratégico, como se poderá ultrapassar o problema defensivo que a Atalanta coloca? Acredito que a solução passará sempre pela mobilidade, adotando um papel pró-ativo, obrigando a quem defende a ter sempre um plano reativo e em várias situações arrastar as marcações para explorarmos o espaço deixado.

E vocês, como ultrapassariam uma equipa com estes princípios? Concordam com estas soluções e acrescentariam outras?
Diogo Pinto